Polícia investiga suposto esquema que usava dinheiro no governo Marconi para fake news em Goiás

12/04/2019

 

Superintendência de Combate à Corrupção quer saber se recurso do Estado era usado para pagar sites para promover o PSDB e criticar adversários políticos do ex-governador. Citados se defendem em notas, veja a íntegra.

 

 

 

 

A Superintendência de Combate à Corrupção da Polícia Civil investiga um suposto esquema que usava dinheiro público do Governo do Estado, na gestão de Marconi Perillo, para pagar pela publicação de possíveis fakes news em sites de Goiás.

 

Segundo a investigação, esses blogs publicavam notícias que favoreciam o ex-governador, o partido dele, o PSDB, buscando prejudicar seus adversários políticos.

 

Os sites, também apontados pelo Ministério Público, são o Goiás 24 horas, o Canal Gama e o Blog do Cleuber Carlos. As investigações da Polícia Civil começaram, agora, depois que o MP abriu, no ano passado, três ações por improbidade administrativa contra os ex-diretores do Detran, João Furtado e Manoel Xavier, além de Luiz José Siqueira, ex-diretor do Gecon, órgão responsável pela comunicação do governo.

 

A defesa de Marconi, Luiz José e Manoel Xavier disse que os contratos do governo com veículos de comunicação sempre seguiram critérios técnicos. Já a de João Furtado informou as acusações são falsas. O PSDB disse que não tem envolvimento com esquema para publicação de notícias falsas. Luiz Gama, do Canal Gama, afirmou que não participou de nenhum esquema para beneficiar políticos. O jornalista Cleuber Carlos informou que a investigação é caluniosa. Cristiano Livramento, do Goiás 24 horas, disse que o site não publica fake news e que a ação do MP é baseada em achismos. (todas as notas na íntegra estão abaixo).

 

Os investigadores querem descobrir a origem dos recursos usados para pagar estes sites, se era dinheiro lícito ou fruto de corrupção.

 

“Nós não podemos descartar a possibilidade de uma ação organizada para lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro, a corrupção de agentes. Nós não podemos. Então é possível a gente chegar sim no desenho de uma organização criminosa? Eu acredito, muito possível! É possível que a gente chegue também no crime de lavagem de dinheiro? Eu também acredito que é possível!”, disse o delegado Alexandre Lourenço, responsável pela investigação.

 

Segundo consta na investigação, o blog de Cleuber Carlos teria recebido entre 2015 e 2017 mais de R$ 2 milhões. O Canal Gama teria ganhado, na mesma época, mais de R$ 1 milhão. Já o blog Goiás 24 horas teria recebido quase R$ 900 mil.

 

Nas ações, o Ministério Público pede o bloqueio de bens dos réus, incluindo imóveis e veículos.

 

“Na prática eles pareciam blogs partidários com agravantes de serem sustentados pelo Governo do Estado, a época, com recursos públicos. O problema está no superfaturamento, que é aberrante, é muito grande comparado com outros sites com muito mais audiência do que estes. Além disso, o fato de que eles violam o princípio da moralidade, porque eles enalteciam o Governo e atacavam todos os críticos ao governo”, afirmou o promotor de Justiça, Fernando Krebs.

 

Denúncia aponta que dinheiro público para os três blogs tinham a única finalidade de atacar adversários políticos e enaltecer o ex-governador Marconi — Foto: TV Anhanguera/Reprodução

 

Ainda segundo o MP, João Furtado e Manoel Xavier e Luiz José Siqueira “desrespeitaram os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência ao destinar dinheiro público para os três blogs com a única finalidade de atacar adversários políticos e enaltecer o ex-governador Marconi”.

Veja o que diz na íntegra a defesa de Marconi, Luiz José e Manoel Xavier:

 

“A administração estadual não contrata veículos de comunicação, mas licita agências de publicidade responsáveis pela veiculação das campanhas de prestação de contas das ações e programas realizados pelo governo estadual.

 

As veiculações institucionais e/ou de utilidade pública dos variados órgãos da administração estadual sempre obedeceram critérios estritamente técnicos, segundo objetivos específicos de cada campanha. As agências de propaganda licitadas têm autonomia para definir a forma de veiculação, também segundo critérios estritamente técnicos, conforme estabelecido no contrato firmado com o governo estadual, este ainda em vigor. Assim, as agências licitadas definem o plano de mídia segundo aspectos sociais e de interesse de comunicação.

 

Esses mesmos critérios são utlizados para a veiculação em todos os veículos previamente cadastrados na gerência executiva de comunicação, não sendo correto condenar aqueles critérios por possível linha editorial favorável, ou não, ao governo.

 

O Governo sempre reconheceu que a liberdade de imprensa, aí entendida a linha editorial de cada veículo, como essencial a uma sociedade democrática e plural, jamais agiu discriminando ou favorecendo quem quer que seja”.

 

 

 

Já a de João Furtado disse:

“As acusações são falsas e que de 2015 a 2017, 60 veículos de comunicação fizeram parte da publicidade do governo do estado e não apenas 3, citados pela investigação”.

Nota PSDB Goiás:

 

“O assessor disse que tomou conhecimento hoje dessa investigação. Disse que o PSDB tem um bom histórico no Brasil e também em Goiás e que prestou contas do Governo e que está apto a qualquer esclarecimento. Não vê nenhuma relação do PSDB com essas acusações”.

 

Nota Luiz Gama:

 

“O radialista e jornalista Luiz Gama, editor do portal de notícias CANAL GAMA, refuta com toda veemência qualquer acusação de pertencer a esquema com objetivo de atacar quem quer que seja através de Fake News ou de outro meio. Somos um portal de notícia com credibilidade e grande audiência. Em fevereiro chegamos a 1.500.000 (um milhão e meio) de views. Luiz Gama tem 37 anos de trabalho como radialista e como jornalista nos principais veículos de comunicação do estado de Goiás. Todas as notícias veiculadas no Canal Gama também foram veiculadas nas principais emissoras de TV e jornais de grande circulação em Goiás. Recebemos mídias de governos nos três níveis. Já anunciamos o Governo federal, o Governo do Estado de Goiás e várias prefeituras. Nossa tabela de preços é a mesma para qualquer tipo de anúncio público. O nosso estilo crítico e ácido pode até incomodar a muitos, mas é, segundo decisão recente do STF, nosso direito de manifestar. Temos sofrido sim em Goiás uma enorme perseguição por alguns setores da política goiana, que tem utilizado de todas as formas de intimidação, de assassinato de reputação e de censura. Somos sobreviventes! Não seremos intimidados por ações politiqueiras em qualquer nível, por notas maldosas e ou outras ações covardes e igualmente canalhas com intuito de perseguição”.

 

Nota Cleuber Carlos:

 

“Primeiro não reconheço autoridade moral do sr. Fernando Krebs para usar o Ministério Público para fazer perseguição pessoal, pois o mesmo move duas ações na pessoa física dele contra a pessoa física deste jornalista. Sendo pessoalmente meu inimigo declarado. Não é moral um promotor usar de seu cargo para resolver questões pessoais. Além disso a denúncia de Fernando Krebs é mentirosa, caluniosa e tem por objetivo apenas interesses pessoais e nenhum interesse público. A denúncia usa dados falsos para tentar justificar superfaturamento já que diz claramente que o blog só tem 7 mil acessos mensais quando possui comprovadamente mais de 100 mil acessos por mês, o que por sim só já derruba a tese de superfatuamento. O promotor mente também nos valores que diz que o blog recebeu do Detran demostrando incompetência ou má fé.

 

O blog jamais recebeu verba direta do Detran. Sempre o contato foi com as agências de propaganda. Mais uma vez mostrando a tital incompetência do referido promotor para ocupar um cargo de tamanha importância já que ele mente descaradamente em sua denúncia forjada. Quem tem que participar de licitação não são os veículos de comunicação e sim as agências. Será que o promotor é tão incompetente que não sabe disso ou ele apenas usou de má fé para inventar a denúncia? Nunca recebi verba do governo de forma direta.

 

A mídia que chegava para mim era a mesma enviada para todos os veículos de comunicação. Por último não compete ao promotor definir a linha editorial de nenhum veículo de comunicação. Primeiro ele alegava que eu recebia dinheiro para falar bem do governo, agora pergunta quem estaria me pagando para criticar o atual governo, deixando clara sua intenção política com sua denúncia. Eu também quero saber quem está pagando o senhor Fernando Krebs para me perseguir como quero saber qual deputado indicou a esposa dele para ocupar cargo comissionado na Assembleia Legislativa? Reafirmo não reconheço no promotor Fernando Krebs, meu inimigo pessoal, estatura moral para me questionar. A primeira ação dele neste sentido não encontrou respaldo na justiça e ele certamente terá que responder a mais uma representação por sua conduta junto ao Conselho Nacional do Ministério Público.

 

Atenciosamente

Cleuber Carlos”

 

Nota Cristiano Livramento da Silva, Goiás 24 horas:

 

“1. A ação do promotor é um ataque à liberdade de imprensa e expressão, baseada no achismo;

2. É também perseguição pessoal a este blogueiro, que criticou a atuação dele e a partir daí passou a ser vítima de representações;

3. O blog não publica nem produz fake news;

4. O blog tem seis anos de existência, período no qual teve mais de 14 milhões de acessos únicos, como comprova documento em anexo;

5. Tem uma linha crítica e combativa, questionando governo e oposição e publica notícias do dia-a-dia, comentários e análises naquilo que julga pertinente e relevante para o seu público;

6. Durante os seis anos de existência recebeu propaganda oficial em apenas três, mesmo assim de forma não regular;

7. O proprietário do blog já moveu representação contra Fernando Krebs no Conselho Nacional do Ministério Público;

8. Não tenho e nunca tive relação com o ex-governador Marconi;

9. Já tentaram calar o blog outras vezes e não conseguiram;

10. Lembro manifestação da ministra Carmen Lúcia, no célebre julgamento da ação que pedia a censura prévia nas biografias: “O cala boca já morreu”;

11. A ação do promotor lembra os tempos da ditadura;

12. Por fim, julgo deplorável, autoritária e antidemocrática a atitude do promotor.”

 

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