CPI da Enel da Alego: Ouve o novo presidente da companhia no Estado, José Luiz Salas

13/09/2019

 

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no fornecimento de energia elétrica por parte da empresa italiana Enel em Goiás realizou na manhã desta quinta-feira, 12/9, mais uma sessão ordinária, dessa vez para ouvir o novo presidente da companhia no Estado, José Luiz Salas. O encontro teve lugar no auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), comandado pelo deputado Henrique Arantes (PTB), presidente do colegiado, e sob relatoria do deputado Cairo Salim (Pros). O presidente Henrique Arantes reiterou a necessidade de a empresa oferecer, além da qualidade do serviço prestado, “um atendimento mais humano aos clientes”.

 

 

 

Além do presidente Henrique Arantes, a mesa dos trabalhos foi composta pelo presidente da Enel Goiás, José Luiz Salas; o advogado da Enel, Lúcio Flávio; e o relator Cairo Salim. Também participaram do encontro os deputados Chico KGL (DEM) e Alysson Lima (Republicanos), ambos titulares do colegiado; o procurador da Alego Edmarkson Ferreira; e a promotora de justiça Leila Maria de Oliveira.

 

O deputado Alysson Lima, ao fazer o uso da fala, salientou a importância de ouvir o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). “Temos uma empresa atuando, que não atende às necessidades do consumidor”, observou. Para tanto, apresentou requerimento, em que cobra o depoimento do ex-governador para o dia 26 de setembro. “Vamos tentar marcar para o dia solicitado, ou o mais próximo desta data”, pontuou o presidente da CPI, Henrique Arantes.

 

O presidente da Enel, ao fazer uso da palavra, apresentou o plano de investimentos da companhia para atender à demanda reprimida, e aos novos empreendimentos a serem instalados em Goiás. O período do plano vai deste ano até 2023. “Hoje Goiás é o Estado que cresce acima da média nacional, em média 3,5% ao ano”, explicou.

 

Telecontroles

 

Salas apontou que o uso de telecontroles irá possibilitar a religação com uso de tecnologia. O presidente explicou que serão instalados 2 mil equipamentos até 2020, e que a meta é chegar ao total de 7 mil equipamentos implantados até 2023. “A tecnologia será muito usada para aumentar a efetividade das operações”, explicou. O plano contempla também a ampliação da instalação em 26%.

 

A companhia atualmente faz 1.700 conexões rurais, o que representa do triplo do que era executado no período da gestão estatal. O objetivo da companhia, explicou Salas, é fazer cerca de 10 mil por ano, ao se referir ao plano a ser desenvolvido pela empresa. Na reunião também foi apresentado um vídeo do trabalho que a Enel tem realizado no interior goiano. No exemplo, uma comunidade Kalunga, onde atendeu a 400 famílias.

 

Alysson reiterou o papel institucional da Casa. “O plano não se concretiza enquanto a empresa não apresenta quanto tem em caixa. Isso sim, daria segurança à população”, afirmou. O parlamentar cobra que no período de três anos os investimentos foram baixos. “Será que o plano de expansão, que anunciou 17 subestações, será cumprido?”, questionou. “Não vejo a empresa com capacidade de cumprir a meta do plano”, salientou o parlamentar republicano.

 

“Também não vejo investimentos nas periferias da Região Metropolitana e no Entorno”, cobrou o deputado, afirmando que os investimentos são feitos onde é mais conveniente para a empresa.

 

Chico KGL manifestou-se em defesa dos produtores rurais que, segundo ele, têm tido prejuízos com a falta de energia, o que também ocorre com diversas empresas. Ele também cobrou o valor dos investimentos e o ressarcimento das perdas. “Tenho um pequeno mercado em Rio Verde, e já fui muito prejudicado com a falta de energia. Precisei investir cerca de R$ 200 mil, além de prejuízos de R$ 48 mil com danos a equipamentos”, enunciou. "Gostaria que dessem mais atenção a Goiás, já que vocês fizeram um acordo com o Governo”, completou o democrata.

 

Ao final do encontro, em resposta às observações dos parlamentares, o presidente da Enel informou que constam do plano da companhia para melhoria da prestação de serviços em Goiás, o atendimento às demandas existentes e executar as obras referentes às conexões rurais ainda não atendidas. “Este é um panorama que temos do Estado, e será cumprido”, afirmou o executivo da Enel.

 

Salas citou municípios como Niquelândia e Mineiros que possuem subestações em construção, além da substituição de transformadores em outras localidades do Estado. “A cada dois ou três meses me disponho a vir a esta Casa para informar sobre o que estamos fazendo”, comprometeu-se.

 

O executivo disse que, com relação à qualidade, a empresa está trabalhando, durante dois anos, para tentar estabilizar um sistema deteriorado: "Ainda temos muito a realizar. As reclamações apresentadas pelos deputados são pertinentes”, admitiu.

 

Quanto à cobrança no que se refere ao valor do investimento, Salas deu sua versão sobre a divulgação desse item. “Entendo a necessidade de se saber o valor. Mas por se tratar de uma empresa de capital aberto, temos um período, que é em novembro, para podermos compartilhar os dados”, informou.

 

O relator da CPI salientou que a paciência com a companhia está no limite. Cobrou respostas às demandas, dos 7 milhões de goianos, que têm problemas com o serviço prestado pela Enel. Salim reiterou as dificuldades apresentadas em todas as regiões do Estado. “Temos problemas com a quantidade e a qualidade de energia. Precisamos que esse investimento da Enel resolva a situação de Goiás. O ano de 2022 está muito longe para mim e para o empresariado goiano”, exigiu.

 

Salim também reclamou do aumento no valor das faturas, além de multas que têm sido apresentadas a diversas empresas goianas. “A sensação é que a empresa quer recuperar o que investiu pelo bolso do consumidor”, reclamou.  

 

Audiências itinerantes

 

Desde a instauração da CPI, em 28 de fevereiro, já foram realizadas 12 audiências públicas itinerantes nos seguintes municípios: Anápolis, Rio Verde, Aparecida de Goiânia, Catalão, Morrinhos, Caldas Novas, Itumbiara, Porangatu, Uruaçu, Quirinópolis, Jataí e São Miguel do Araguaia.

 

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