Parlamentares Davinopolinos participam de Audiência Pública que debate a extinção dos pequenos municípios

27/11/2019

 

 

Os vereadores de Davinópolis: João Jose Rodovalho (Tita), Ermelindo Lopes Filho e o presidente da Câmara Wilker Ferreira da Silva participaram na última sexta-feira (22/11) da Audiência Pública Oficial do Senado Federal para debater a PEC 188/2019, conhecida como “Mais Brasil”, promovida pelo senador goiano Luiz do Carmo (MDB), apresentada pelo Governo Federal através do Ministério da Economia no último 5 de novembro. O evento foi realizado no auditório da OAB Goiás, em Goiânia, e contou com o apoio da Confederação Brasileira de Municípios (CNM), a Federação Goiana de Municípios (FGM), a Associação Goiana de Municípios (AGM) e a União de Vereadores do Estado de Goiás (UVEGO). Cerca de 250 pessoas, entre prefeitos, vereadores e autoridades dos municípios afetados pela proposta participaram da audiência.

 

 

 



No estado atual do texto, 92 municípios de Goiás seriam extintos, aproximadamente um terço do Estado. O senador disse ser totalmente contra o projeto. “Apesar de possuir vários pontos positivos para o Pacto Federativo, o governo errou em tentar incluir isso no texto. Eu, como senador da República, vou dedicar todas as minhas forças para que isso não seja ao menos cogitado no Congresso Nacional” declarou Luiz do Carmo.

O senador, contudo, alertou os prefeitos sobre o perigo de achar que o texto não terá andamento no Congresso Nacional. “É importante perceber o silêncio que vemos hoje no Senado e na Câmara dos Deputados. Esse silêncio significa – historicamente – apoio velado, e se não agirmos de forma organizada e unida, não seremos capazes de impedir que isso aconteça conosco”, disse.

 

Os parlamentares João Jose, Ermelindo Lopes e o presidente do poder legislativo davinopolino Wilker Ferreira afirmaram que o momento é de lutar com todas as forças que podemos junto as nossas bancadas federais para que não votem a favor da PEC 188/2019 que extingue os pequenos municípios, por isto estamos juntos aqui com nosso senador Luiz do Carmo nesta luta, visto que se aprovada Davinópolis seria distrito de Catalão e as demandas que hoje já são difíceis de solução, ficariam críticas.


No evento, o presidente da CNM, Glademir Aroldi, afirmou que a proposta não teve o cuidado de analisar os verdadeiros impactos de sua aplicação nos municípios. Para Aroldi, é necessária uma verdadeira redistribuição dos recursos, e que a economia conquistada com a extinção dos municípios seria irrisória. “Hoje, dos 21% do bolo que ficaram com os 5.568 municípios brasileiros, estas 1252 cidades até 5 mil habitantes tiveram uma RLC de R$ 19,2 bilhões, ou seja: 3,3% do total dos Municípios, ou 0,67% do total do Brasil. São nos 0,67% que moram o problema? E os outros 99,33%?” indagou o presidente.

Em seu discurso, o presidente da FGM, Haroldo Naves, ressaltou o posicionamento da entidade contra o projeto, apresentando números que comprovam a incoerência do Projeto. “Com aprovação da PEC os municípios serão penalizados, e quem mais sofrerá é a população. Imóveis serão desvalorizados, empresas não realizarão investimento, além da dificuldade geral de serviços. Isso é um desastre” completou o presidente.

Agora, com a assinatura de aproximadamente 250 pessoas, o senador Luiz do Carmo irá pessoalmente entregar uma carta ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e o próprio presidente da República, Jair Bolsonaro.

O Projeto
Entre alterações de dispositivos já existentes, revogação e inclusão de novos, a PEC envolve cerca de 40 artigos, tratando de assuntos como organização político-administrativo do Estado, servidores públicos, tribunais de contas, matéria orçamentária e outros. Entre os assuntos polêmicos, um é o 6º da proposta, que acrescenta o Art. 115 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e que trata da incorporação de municípios com até cinco mil habitantes e que não possuam “sustentabilidade financeira”.

A PEC infere que a arrecadação destes três impostos não poderá ser inferior a 10% do total da receita do município com menos de 5.000 habitantes. Contudo, no caso de Goiás e em boa parte do país, este é exatamente o caso da maioria destes municípios. De acordo com uma análise realizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), somente três municípios, dos noventa e cinco abaixo da população estipulada, cumprem o critério de sustentabilidade, sendo eles: Pilar de Goiás, Professor Jamil e Rio Quente.

Para o senador Luiz do Carmo, a mera sugestão da extinção de municípios é inconstitucional e fere cláusula pétrea, já que ignora o Art. 18 § 4º da Constituição Federal. “Ignorar esta parte da Constituição Federal do Brasil é desconsiderar cláusula pétrea do texto que rege nossa democracia. O Governo Federal e o Congresso Nacional não estão, portanto, autorizados a discutir propostas que ferem princípios do pacto federativo, pois estes são de competência exclusiva dos Estados e exigem o aval direto da população através de plebiscito” argumentou o senador.

Outra crítica ao texto trata-se da insuficiência em se calcular a “sustentabilidade” de um município somente com a soma do Imposto Predial e Territorial Urbana (IPTU), Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e Imposto sobre Serviços (ISS), já que os municípios também possuem arrecadação própria através de tributos estaduais e federais.

“Esses três impostos – o IPTU, o ITBI e ISS – também são impostos urbanos, arrecadados nos centros das cidades. Municípios com menos de 5.000 habitantes geralmente são predominantemente rurais, e sua cidade é composta por uma dúzia de aglomerado de ruas. É preguiçoso, e incoerente, calcular o desempenho de um município dessa forma. Deveríamos estar olhando além, para os índices de qualidade de vida, saúde, educação, analfabetismo” complementa o senador.

Na carta que será entregue ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, Luiz do Carmo argumenta que ao contrário do senso comum, essas cidades não forem criadas com intenção política, mas por acreditar que a sua emancipação traria serviços públicos mais próximos da sua população. 

“Aprovar este projeto é atestar a falta de importância com a autoestima das pessoas, sua cultura e histórias pessoais. O que esse projeto faz é retirar direitos adquiridos das pessoas, e isso eu não irei aceitar” disse.

 

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